Blefarite

Postado em 18 de novembro de 2018

Blefarite é a inflamação da parte externa das pálpebras. Quando localizada na parte interna, é chamada de meibomite. Seus sintomas são semelhantes, envolvem vermelhidão ocular, ardência, produção excessiva de lágrimas e acúmulo de secreções nos cílios. Se manifesta mais comumente de forma crônica, mas também pode ser aguda.

A blefarite costuma pode ser causada por ácaros, fatores hormonais, excesso de oleosidade na pele, maquiagens, demaquilantes excessivamente oleosos ou mesmo exposição a agentes irritativos. Pode também ser causada por outros problemas dermatológicos – como rosácea.

A doença tem cura e tratamento. No entanto, é comum que o problema sempre retorne depois de algum tempo.

Entre as complicações possíveis, estão deformações, perda dos cílios e até mesmo o desenvolvimento de alterações na córnea que podem afetar a qualidade visual.

Tipos de blefarite
Existem algumas tipificações específicas de blefarite, de acordo com três critérios: causa, ocorrência e local da inflamação.

São elas:

Classificação de acordo com a causa

Blefarite alérgica
É a forma mais comum de blefarite, que surge devido a uma inflamação causada por alterações nos microrganismos que vivem naturalmente na região dos olhos, ou mesmo pelo excesso de oleosidade na pele.

Clinicamente, também pode ser chamada de blefarite hiperemiada.

Blefarite ulcerativa
As blefarites ulcerativas são, geralmente, causadas por infecções bacterianas. Também podem ser chamadas de blefarite estafilocócica, em uma referência ao nome da bactéria que ocasiona o problema: a Staphylococcus aureus.

Costuma atingir toda a extensão da borda das pálpebras até as pontas dos cílios. É o tipo mais raro e mais grave de blefarite.

Blefarite seborreica
Também chamada de blefarite escamosa, a blefarite seborreica é caracterizada pela aparição de “casquinhas” grossas por toda a superfície da pálpebra. É causada por problemas como seborréia e rosácea.

Classificação de acordo com a localização

Blefarite anterior
Afeta a parte externa da pálpebra e a região da base dos cílios.

Blefarite posterior
Atinge a parte interior das pálpebras, especialmente as glândulas sebáceas internas responsáveis por lubrificar a região dos olhos – sobretudo a glândula de Meibômio, sendo chamadas também chamada de meibomite.

Blefarite mista
Também conhecida como blefarite marginal, afeta tanto a parte interna quanto externa da pálpebra. Costuma estar associada a casos de blefarite ulcerativa.

Classificação de acordo com a ocorrência

Aguda
Se caracteriza por ser um episódio isolado de blefarite, que surge, dura poucos dias e vai embora.

Crônica
É o tipo mais comum de blefarite. Costuma se manifestar em crises sucessivas e duradouras, que podem levar semanas e até meses para passar.

Grupos de risco
Pessoas com tendência a pele oleosa
Quadros de blefarite crônica são comuns em pessoas com pele oleosa.

Isso acontece porque a produção excessiva de óleo pelas glândulas sebáceas pode favorecer diversas inflamações cutâneas – incluindo blefarite e acne.

Pessoas com tendência a caspa
De acordo com um levantamento feito por oftalmologistas do centro médico da Universidade do Texas, algo entre 33% e 46% dos pacientes com blefarite seborreica que passaram pela instituição têm problemas com caspa.

Pessoas com terçol (viúva) e calázio de repetição
A blefarite interna ou meibomite pode obstruir completamente a glândula das pálpebras, levando a formação de um nódulo doloroso local (terçol). Quando este não drena espontaneamente ou mesmo com o tratamento forma uma cápsula endurecida, o tratamento não consegue penetrar e ser eficaz, sendo necessário uma cirurgia.

Terçol e calázio de repetição possuem como causa principal a meibomite crônica.

Pessoas com olhos secos
A Síndrome do Olho Seco é um problema caracterizado pela ineficiência do organismo em produzir lágrimas o suficiente para lubrificar os olhos.

Segundo pesquisa da Universidade do Texas, 50% das pessoas com quadros de blefarite também sofrem da Síndrome do Olho Seco.

Casos de blefarite também podem alterar a composição a lágrima, ou seja, a lágrima produzida é de baixa qualidade e evapora-se rapidamente. Assim, mesmo que exista um lacrimejamento excessivo, o paciente manifesta também sintomas de olho seco.

Portadores de rosácea
A rosácea é uma doença crônica e inflamatória que atinge a pele, geralmente após os 30 anos de idade.

Sintomas da Blefarite

Em quadros iniciais, os primeiros sintomas são olhos lacrimejantes e irritados. Por isso, é comum que blefarite seja confundida com conjuntivite e até mesmo terçol.

No entanto, o resto dos sintomas é bastante característico. Entre os sinais de blefarite, estão:

  • Olhos vermelhos;
  • Olhos lacrimejantes;
  • Cílios com aspecto gorduroso;
  • Sensação de queimação e/ou ardência nos olhos;
  • Pálpebras inchadas e/ou avermelhadas;
  • Coceira nos olhos;
  • Descamação nas pálpebras;
  • Olhos sensíveis à luz;
  • Necessidade frequente de piscar;
  • Sensação de “olhos grudados” ao acordar;
  • Crescimento anormal e exagerado dos cílios;
  • Queda de cílios;
  • Visão turva.

Como é feito o diagnóstico de blefarite?
Em geral, o diagnóstico de blefarite é feito apenas através do exame clínico, ou seja, no momento da consulta médica.

O oftalmologista também pode utilizar alguns aparatos para ter uma dimensão maior do problema, como microscópios e outros instrumentos de aumento óptico.

Caso a blefarite persista por muito tempo, o profissional pode solicitar uma raspagem na pálpebra e enviar o material para biopsia, para descartar a hipótese de tumor palpebral.

Blefarite é contagiosa?
A princípio, não, a blefarite não é contagiosa.

Existe a remota possibilidade de contrair a doença ao se compartilhar determinados objetos com uma pessoa que tenha blefarite – como, por exemplo, um pincel de maquiagem ou uma toalha que o paciente tenha colocado sobre os olhos, por exemplo.

No entanto, para que a contaminação ocorra dessa forma, o contato com o objeto precisa ser praticamente imediato, logo após o uso da pessoa com blefarite, uma vez que os microorganismos que causam a doença sobrevivem por um tempo limitado fora do corpo.

Blefarite tem cura?
Pode-se dizer que sim, blefarite tem tratamento e cura. No entanto, a grande maioria dos casos é crônica.

Isso significa que, por mais que o problema desapareça, provavelmente retornará depois de algum tempo. Por isso, é importante fazer acompanhamento médico constante.

Tratamento para blefarite

Os tratamentos para blefarite consistem, basicamente, na higienização do local e na aplicação de medicamentos. Em alguns casos, à lista de remédios receitados pelo médico pode incluir antibióticos e corticoides.

Casos selecionados podem necessitar de tratamento duradouro, até mesmo com medicações orais e imunossupressoras.

Além disso, o médico também fará o possível para mapear o que está causando o problema e tratar a doença de origem.

Fonte: Minuto Saudável

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